20070511

agenda

rebenta agendas é uma agenda de eventos relacionados com música, e geográficamente centrados em Lisboa.
Os critérios de selecção são subjectivos - não pretende ser nem genérica nem universal - é personalizada e ponto final!
A sua actualização também não envolve nenhum compromisso mas, em princípio, sê-lo-á semanalmente... Esperamos que vos seja útil!

2007.MAIO

11 . Vitorino . Lisboa . Teatro da Trindade . 21h30 . Eur 12,00 a 20,00
11 . Pop Dell'Arte + The Glimmers + Zé Pedro Moura + Pan Sorbe + PinkBoy - Fiasco . Lisboa . Lux . 22h00

11 . Mundo Complexo + Johnny & Kilu . Lisboa . MusicBox . 00h00
11 . Xutos & Pontapés + Tara Perdida + Oioai + No DJ's & Elecktro Fighterz . Passeio Marítimo de Algés . 21h00
12 . Mundo Complexo . Almada . FNAC Almada . 17h00 . ent. livre
12 . Citizen Kane . Almada . Ponto de Encontro . 21h30 . ent. livre
12 . Vitorino . Lisboa . Teatro da Trindade . 21h30 . Eur 12,00 a 20,00

12 . Goodbay Toulouse . Lisboa . Crew Hassan . 21h30
12 . Micro Audio Waves . Lisboa . FNAC Colombo . 21h30 . ent. livre
13 . The Poppers + Dapunksportif . Lisboa . Castelo S. Jorge . 18h00 . ent. livre

13 . Vitorino . Lisboa . Teatro da Trindade . 21h30 . Eur 12,00 a 20,00
14 . Micro Audio Waves . Almada . FNAC Almada . 21h30 . ent. livre
14 . Man and Unable . Estoril . Casino . 22h30 . ent. livre
15 . Stowaways . Lisboa . Café - Teatro Maria Matos
15 . Wraygunn . Lisboa . FNAC Chiado . 18h00 . livre
15 . Wraygunn . Lisboa . FNAC Colombo . 21h30 . livre
15 . You Should Go Ahead . Lisboa . Teatro Maria Matos . 22h00
16 . The Who . Lisboa . Pavilhão Atlântico . 20h30 . Eur 30,00 a 40,00
16 . Sérgio Godinho . Lisboa . Teatro Maria Matos . 21h30 . Eur 15,00 a 20,00

16 . Capitão Fantasma . Lisboa . Maxime
16 . Pocket Book of Lighting + Cortez . Lisboa . Music Box . 22h30
17 . Sérgio Godinho . Lisboa . Teatro Maria Matos . 21h30 . Eur 15,00 a 20,00

17 . Rádio Macau . Cascais . Lótus Bar
17 . Plástica + No DJs . Lisboa . Music Box . 22h00
17 . JP Simões . Lisboa . Zé dos Bois . 23h00 . Eur 10,00
18 . Block Party + Biffy Clyro . Lisboa . Coliseu . 21h00 . Eur 25,00 a 150,00
18 . Sérgio Godinho . Lisboa . Teatro Maria Matos . 21h30 . Eur 15,00 a 20,00
19 . [Creamfields] . Prodigy + Who Made Who + Spektrum + Tiefscharz + Kaskade + Pollensi + Stereo Addiction + Jahcoustix + Tom Novy + DJ Diego Miranda, DJ Sander Kleinenberg . Lisboa . Parque da Bela Vista
19 . Sérgio Godinho . Lisboa . Teatro Maria Matos . 21h30 . Eur 15,00 a 20,00

20 . Sérgio Godinho . Lisboa . Teatro Maria Matos . 21h30 . Eur 15,00 a 20,00

23 . Kronos Quartet . Portalegre . Centro de Artes e Espectáculos . 21h30
24 . Beyoncé . Lisboa . Pavilhão Atlântico . 20h30 . Eur 30,00 a 42,00

25 . Dave Matthews Band . Lisboa . Pavilhão Atlântico . 21h00 . Eur 30,00 a 42,00
31 . Pelican + Riding Panic . Lisboa
31 . Andrew Bird . Lisboa . São Jorge
31 . Vitorino . Lisboa . Teatro da Trindade . 21h30 . Eur 12,00 a 20,00


Junho
06 . Encontros Arquitectura e Música . Lisboa . Gulbenkian
07 . Rodrigo Amado + Carlos Zíngaro + Pedro Gonçalves . Lisboa . CCB . 22h45 . ent. livre
08 . Pearl Jam + Linkin Park [Festival Alive] . Oeiras . Passeio Marítimo Algés
09 . Smashing Pumpkins [Festival Alive] . Oeiras . Passeio Marítimo Algés
10 . Beastie Boys + The Weasel + Sam the Kid [Festival Alive] . Oeiras . Passeio Marítimo Algés
14 . Encontros Arquitectura e Música . Lisboa . Gulbenkian
21 . Encontros Arquitectura e Música . Lisboa . Gulbenkian
26 . Mário Laginha - Encontros Arquitectura e Música . Lisboa . Culturgest
23 . Philip Glass . Lisboa . CCB
28 . [SuperBock SuperRock] Metallica . Lisboa . Parque Tejo


Julho
03 . Arcade Fire + Klaxons + The Magic Numbers + Block Party + The Gift + Bunnyranch [SuperBock SuperRock] . Lisboa . Parque Tejo
04 . [SuperBock SuperRock] . Lisboa . Parque Tejo
05 . Interpol [SuperBock SuperRock] . Lisboa . Parque Tejo

15 . Laurie Anderson . Lisboa . Culturgest
20 . Festival Vilar de Mouros
21. Festival Vilar de Mouros
22. Festival Vilar de Mouros

Agosto
02 . Festival do Sudoeste . Zambujeira do Mar . Herdade da Casa Branca . Eur 60,00 a 70,00
03 . Festival do Sudoeste . Zambujeira do Mar . Herdade da Casa Branca . Eur 60,00 a 70,00
04 . Festival do Sudoeste . Zambujeira do Mar . Herdade da Casa Branca . Eur 60,00 a 70,00
05 . Festival do Sudoeste . Zambujeira do Mar . Herdade da Casa Branca . Eur 60,00 a 70,00

20070205

ENCONTROS ARQUITECTURA e MÚSICA

A Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007 será um evento internacional que decorrerá entre 31 de Maio e 31 de Julho, centrado em Lisboa, mas com núcleos no Porto e noutros locais de Portugal, em torno do tema 'Vazios Urbanos'.

Os Encontros Arquitectura e Música, integrados na programação da Trienal, pretendem reflectir sobre as relações possíveis entre duas artes fundamentais da cultura contemporânea: a arquitectura e a música. Constam de um conjunto de conferências, debates, mesas redondas e concertos comentados, organizados em torno de três grupos temáticos que estabelecem outras tantas “zonas de contacto” entre a arquitectura e a música, respectivamente:

Formas
Abordagem que relaciona, em termos históricos e culturais, as diferentes teorias da composição e sensibilidades estéticas e, por consequência, as semelhanças e diferenças formais, entre arquitectura e música. Consta de um debate sobre o tema na Fundação Calouste Gulbenkian e um concerto no Pólo 3 da Trienal, a Fundação EDP-Central Tejo.

Processos
Reflexão sobre os modos de entendimento da arquitectura e da música, da sua concepção, à sua configuração e execução, tendo em conta a interdependência entre processo e expressão, e a componente de risco e descoberta inerente à experimentação nas artes.

Ambiências
Análise da capacidade da arquitectura e da música de definirem ambientes específicos, da sua carga dramática ou emocional, e com isto trabalharem em aspectos que lidam directamente com a experiência sensorial e emocional dos ‘habitantes’ desses espaços, assim gerados por uma atitude estética distintiva.

Os eventos deste ciclo, debates e performances, vão decorrer nos dias 6, 14 e 21 de Junho no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian. O ciclo encerra no dia 26 de Junho com um concerto de inéditos de Mário Laginha, na Culturgest.

20061215

Rafael Toral: 'Space'

No passado dia 21 de Outubro de 2006, no espaço NEGÓCIO, da Zé dos Bois, em Lisboa, Sei Miguel e Rafael Toral apresentaram os seus últimos trabalhos, num concerto que adoptou o título
‘GARDEN : SPACE : BEYOND’.

Rafael Toral, nascido em Lisboa em 1967, é compositor, guitarrista e engenheiro de som. As suas primeiras actuações remontam a 1984, e o seu trabalho tem-se centrado no uso da guitarra eléctrica como fonte duma matéria sonora abstracta, originária do Rock, explorando as possibilidades do ambiente e da improvisação. Admirador das obras de John Cage ou de Brian Eno, os seus interesses têm-se dirigido também para os Sonic Youth e Alvin Lucier.


A par do seu percurso como músico e do seu importante pioneirismo no campo da electrónica experimental, foi também ele que organizou a ‘Antologia de Música Electrónica Portuguesa’ [Plancton, 2004], que faz a história da electrónica em Portugal desde 1972. Esta compilação junta na mesma edição músicos e grupos experimentais como Carlos Zíngaro, Anar Band [Jorge Lima Barreto e Rui Reininho, o vocalista dos GNR], Telectu [do mesmo Jorge Lima Barreto e Víctor Rua], Nuno Canavarro, Nuno Rebelo, No Noise Reduction e o próprio Rafael Toral, a compositores contemporâneos como Cândido Lima, Filipe Pires, Jorge Peixinho, Isabel Soveral e João Pedro Oliveira, entre outros.

Voltando ao início do seu percurso como músico, Rafael Toral integrou grupos que se podem enquadrar na genealogia Pop/Rock, como sejam os SPQR, nos anos 80. No entanto, em todos transparecia como característica dominante o cariz experimentalista da música. Referimos, a este propósito, a sua passagem pelos Pop Dell’Arte, apartir de 1986, de onde, conjuntamente com João Paulo Feliciano - este também um conhecido artista plástico [actualmente com uma exposição retrospectiva na Culturgest] - criou em 1990 o projecto No Noise Reduction e o álbum ‘On Air’ [Ananana, 1996], resultado de actuações ao vivo da dupla de guitarristas em rádios locais. Na primeira parte deste disco, Toral e Feliciano manipulavam o que chamavam de ‘brinquedos electrónicos’, como pistolas de laser, telemóveis e "beatboxes" de karaoke, transformados e preparados de modo a reagirem ao contacto dos dedos. Na segunda parte, voltavam às guitarras, ainda que para as utilizar com a mesma atitude de ‘bricolage’.

> No Noise Redution: Rafael Toral e João Paulo Feliciano

O trabalho em torno das possibilidades da guitarra, já não no seu sentido instrumental mais convencional, mas como gerador de múltiplas sonoridades de cariz mais abstracto, levou-o, inclusivamente, a tocar com os Sonic Youth, Jim O’Rourke, Phil Niblock ou John Zorn.

Desde aí, Rafael Toral vem, progressivamente, desenvolvendo uma concepção que adopta o ruído como matéria-prima, e deriva da "ambient music" tal como foi enunciada por Brian Eno, sob a forma de paisagens sonoras que vão evoluindo lentamente, numa atitude claramente minimalista.

O primeiro disco de Rafael Toral assinado em nome próprio foi ‘Sound Mind Sound Body’, de 1994, que o crítico de música Rui Eduardo Paes classificou como o ‘primeiro disco de música ambiental propriamente dita tocada por um português’.

No ano seguinte lança ‘Wave Field’, que lhe permitiu o reconhecimento internacional e que fosse considerado como um dos guitarristas mais talentosos e inovadores da década de 90.

O disco "Aeriola Frequency" [Perdition Plastics, 1998] é representativo deste trajecto, em termos de processo de trabalho, que se iniciou em níveis de improvisação e passava por vários estádios de montagem, mistura, processamento e depuração, tendo a guitarra como ponto de partida e o computador como meio ou filtro exploratório dos sons gravados.

O penúltimo álbum de sua autoria, que data de 2001 e se intitula ‘Violence of Discovery and Calm of Acceptance’, culmina este ciclo claramente enquadrado no ‘ambient’, e que explora as possibilidades de ‘massas de som’ em evolução. Com este trabalho Toral entendeu que a pesquisa estava encerrada e que, a continuar, correria o risco de se repetir ‘e repisar um fórmula já testada e aprocada’.

Em 2004, Toral iniciou um novo ‘programa de trabalho’, que deixa, para já, as guitarras de parte, e onde os dispositivos electrónicos assumem maior importância. No âmbito deste denominado 'Space Program', o músico esteve presente em várias cidades dos E.U.A, designadamente em Nova Iorque, na apresentação de ‘Space Study 1’ [computador e luvas de controlo equipadas com sensores] a solo ou em colaboração com Margarida Garcia.
Este trabalho caracteriza-se por utilizar a própria perfomance como matéria de composição, seja ela derivada de gravações ao vivo, em estúdio ou ensaio. e por utilizar instrumentos electrónicos concebidos e construídos pelo próprio Rafael Toral, explorando a especificidade da linguagem musical própria de cada instrumento, baseada no seu som puro e não na utilização de escalas de notas.

Esta experimentação - bem como a proximidade a Sei Miguel e a adopção do seu sistema musical, que se estrutura em torno do som e do silêncio como elementos primários, dispensando toda a teoria musical convencional - tem-no aproximado do universo do jazz, sendo aí também reconhecido como protagonista incontornável.

O projecto ‘Space’, que agora apresenta num primeiro CD homónimo, representa, portanto, uma mudança de abordagem, que se tornou mais performativa. É ‘um disco de lançamento, de afirmação, de inauguração’, diz, e nele se abre uma inovadora relação entre o o jazz e a electrónica – ‘jazz em electrónica’ ou ‘uma forma de jazz que emerge de dentro da electrónica’, como Toral o define.

O artigo ‘segunda vida’, de Pedro Rios, publicado no ‘Y’ [público] de 22 de Setembro, e a entrevista que concedeu a Inês Menezes, no programa ‘Fala Com Ela’, emitido na Radar FM em 14 de Outubro, permitiram apreciar a consistência e consciência artística de Rafael Toral, numa invulgar lucidez em relação às várias fases, meios e objectivos a que se propõe na sua investigação e atitude criativa. O programa ‘Space’ está delineado, terá vários capítulos e será concretizado com vários suportes e materiais sonoros.

Recomendamos vivamente este ‘Space’, e uma visita ao sítio de Rafael Toral, de inegável qualidade gráfica e apurada sensibilidade estética, onde poderão, para além de informações gerais, ler o artigo de 6 páginas que sobre ele foi publicado na revista ‘Wire’ de Outubro, e apreciar vídeos das suas perfomances no âmbito deste programa ‘Space’.

RAFAEL TORAL - 'Space Study 1 live'

WORDSONG - '(Brave) Save my soul'

> vídeo de autoria de Rita Sá

20061204

portugal experimental

Antes da década de 80 do séc. XX, a realidade da nova música portuguesa centrava-se nalguns escassos músicos e passava, sobretudo, pela prática das actuações ao vivo, sendo que poucas obras ficaram registadas em disco. Só daqueles anos 80 ficou alguma herança editorial ilustrativa da produção nacional nesta área. A título de exemplo, duas das obras mais relevantes desta época, ‘Plux Quba’, de Nuno Canavarro e ‘Música de Baixa Fidelidade’ de Tó Zé Ferreira, foram lançadas por uma editora independente, da área do Rock - a Ama Romanta de João Peste [Pop Dell’Arte].
Nos anos 90 a situação alterou-se consideravelmente com a generalização da tecnologia digital, já que o acesso à edição discográfica se tornou mais fácil, devido à evolução tecnológica e ao embaratecimento dos equipamentos. Por outro lado, um maior número de músicos, vindos do rock, do jazz e da clássica, começou a dedicar-se às práticas experimentais. Este cenário completa-se com o surgimento de uma série de pequenas editoras discográficas, seguindo o pioneirismo da AnAnAnA.
Paralelamente a este contexto nacional, observou-se uma projecção conseguida no estrangeiro por um crescente número de músicos portugueses, como Rafael Toral, Ernesto Rodrigues, Carlos Bechegas, Rodrigo Amado, Vitriol [Paulo Raposo e Carlos Santos], @c [Miguel Carvalhais e Pedro Tudela] que se juntavam, assim, aos mais consagrados Carlos Zíngaro, Telectu [Jorge Lima Barreto e Vítor Rua] e Osso Exótico [irmãos David e André Maranha, Patrícia Machás, etc.]. Isto permitiu o facto inédito de etiquetas de outros países começarem a editar portugueses.
Neste início de milénio a realidade é consistentemente diferente, e verifica-se que existe uma actividade profícua no mercado alternativo da edição de discos, com exemplos de grande qualidade, que reflectem a grande dinâmica da nova realidade musical. Este facto é, aliás, frequentemente comentado na imprensa especializada estrangeira, tendo dado ocasião, inclusive, à realização em França e Itália de festivais exclusivamente programados com o experimentalismo luso.
Por cá, merecem destaque os Encontros de Música Experimental de Palmela, que tiveram no início do passado mês de Outubro a sua sexta edição, tendo-se consolidado no panorama português como um evento incontornável.
Para uma consulta de artigos sobre a nova música portuguesa, recomendamos o sítio de Rui Eduardo Paes, crítico de música, jornalista e ensaísta:

20061119

WORDSONG premiados

A 3ª edição dos ‘PRÉMIOS PORTUGUESES DE MULTIMÉDIA’ decorreu integrada no NÚMERO FESTIVAL – 7º Festival Internacional de Arte(s) Multimédia, Cinema e Música de Lisboa, que decorreu entre 2 e 12 de Novembro de 2006, no Cinema S. Jorge.

Estes prémios são uma iniciativa conjunta da APMP – Associação para a Promoção do Multimédia Português e da Número – Arte e Cultura / festival NÚMERO-PROJECTA'06.

Os ‘Prémios Portugueses de Multimédia’ têm como objectivo distinguir personalidades, artistas, colectivos ou empresas que pela sua actividade ou criações tenham mostrado obras, suportes e formas de promoção reveladores de uma nova visão ou conteúdos inovadores nas áreas da imagem, vídeo e som, realizada através de novos meios tecnológicos. Esta iniciativa visa a promoção e divulgação do trabalho artístico nas seguintes categorias:

- Web/Tlm: Projectos construídos a partir de ou para suporte em internet ou em telemóveis;
- Música/Som: Projectos híbridos com base em música/som/imagem;
- Vídeo/Imagem/CD/DVD: Projectos com base em imagem manipulada [Vídeo Jamming, CD, DVD, 3D...].

Esta 3ª Edição dos prémios contou com cerca de 300 candidaturas. A APMP divulgou, a 10 de Novembro, a lista dos vencedores. Foram várias as áreas e trabalhos premiados, correspondendo às grandes expectativas esperadas para este evento. A cerimónia de entrega de prémios ocorreu no mesmo dia, pelas 22h00, no Cinema S. Jorge, num espectáculo repleto de tecnologia, artes, música, entre outros.

Os WORDSONG ganharam o prémio na categoria de Música/Som, com o projecto multimédia ‘Wordsong Pessoa’, em que Pedro d’Orey, Alexandre Cortez, Nuno Grácio, Filipe Valentim e alguns artistas convidados transformam, manipulam, destroem e reconstroem em experiências sonoras de formato melódico-electrónico, a poesia de Fernando Pessoa.

Parabéns!

www.apmp.pt
www.numero-projecta.com
www.myspace.com/wordsongpessoa

20061108

WORDSONG PESSOA em digressão

Depois de trabalhar a poesia de Al Berto no seu primeiro disco, o projecto multimedia ‘WORDSONG’ mergulha, no seu segundo registo discográfico, na obra escrita de Fernando Pessoa.
WORDSONG PESSOA é o resultado de uma abordagem transdisciplinar à obra daquele que é um dos maiores e mais fascinantes vultos da modernidade e junta, nesta ocasião, Pedro d'Orey, Alexandre Cortez, Nuno Grácio, Filipe Valentim, autores da música, e Rita Sá, artista plástica, autora das ilustrações e tratamento videoarte.

Mais que musicar poemas ou textos de um autor, este colectivo pluridisciplinar assume-se, nas palavras de Pedro d’Orey, como um ‘conglomerado’, aberto a diversas contribuições, e propõe-se desconstruir, interpretar e re-inventar leituras dos universos escritos desses autores, filtradas pelo imaginário sonoro e visual dos criadores integrantes de WORDSONG.

No caso deste ‘PESSOA’, o segundo registo do grupo, a consistência do projecto revela-se no experimentalismo, temperado de maturidade, da composição musical, e consolida-se na coerência e pertinente contemporaneidade das referências, do imaginário vincadamente urbano, no psicadelismo temático e na força do conceito. Esta componente conceptual é, precisamente, o que mais distingue este projecto no panorama musical actual, e o que mais valorizamos no seu sensível e exigente equilíbrio com a intencionalidade e valor estético do ‘sistema’ música – palavra - imagem - tempo [musical ou histórico, conforme queiram].

Este conceito define, aliás, o própria materialização desta edição, que é composta por um livro com ilustrações e um dual cd ou DADV [novo formato de dupla leitura: DVD com 12 telediscos + cd com 16 canções]. Trata-se de uma edição da
Transformadores e 101 Noites, e data de Julho deste ano.

No que respeita à música, o colectivo é composto por Pedro d’Orey na voz [membro dos Mler-if-Dada antes da entrada de Anabela Duarte], Alexandre Cortez no baixo eléctrico, teclados e programações [Rádio Macau, Cães de Crómio], Nuno Grácio na guitarra e programações [Bobby Master Groove, Cães de Crómio], Filipe Valentim nos teclados [Rádio Macau], e Samuel Palitos na bateria.

A cenografia para os concertos foi concebida por Pedro Silva, aliando-se à actuação dos músicos e à projecção das imagens em vídeo, da autoria de Rita Sá.
WORDSONG encontra-se em digressão pelo país, para apresentação deste trabalho PESSOA, alternando entre concertos, e ‘showcases’ em diversas FNAC. A digressão iniciou-se na FNAC Almada, em 20 de Outubro, tendo-se seguido uma actuação no Passos Manuel, no Porto, em 27 de Outubro, e em Famalicão, no dia seguinte. Passaram a 3 de Novembro pela FNAC Coimbra, em direcção ao Sul.
As próximas datas serão:
09 Nov - Os Artistas - Faro
10 Nov - FNAC Algarve - 21:30
11 Nov - FNAC Colombo - 17:00
18 Nov - Casa d'Os Dias da Água - Lisboa
24 Nov - Cine-Teatro Joaquim de Almeida - Montijo
25 Nov - Clinic - Alcobaça
Neste espectáculo multimedia, surpreende-nos a eficácia da actuação dos músicos, que balança entre a carga dramática da palavra e o ‘groove’ colorido e luminoso da música, a adesão da imagem nos vídeos [que surge, não como complemento ou ilustração, mas com força de ‘instrumento’ na criação de ambiências e sugestões imagéticas – claro detonador de memórias e viagens imaginárias].
Destacamos o concerto previsto para 18 de Novembro na Casa d'Os Dias da Água [R. D.ª Estefânea, 175, Lisboa], onde sabemos que será atribuído um cuidado especial aos aspectos cénicos, em conjunção com o ambiente envolvente do fascinante espaço. Não percam!

20061019

M.A.U. no Clube Mercado

> Os M.A.U. têm honras de inaugurar a garage-m.
Actuaram na quarta-feira, 18, no Clube Mercado, em Lisboa. O alinhamento do concerto visitou os temas conhecidos do primeiro disco, e serviu para a apresentação dos novos temas que integrarão um single a editar em breve, bem como alguns recentíssimos [com uma semana ou duas], em estreia absoluta. Suspeitamos que o concerto serviu, também, para a gravação de trechos do próximo video-clip da banda – vocês não nos enganam !!!
Souberam imprimir bom ritmo e intensidade ao concerto, e conquistar facilmente a adesão de quem estava presente, numa ‘casa cheia’.
Sublinhamos aquilo que nos parece mais interessante na música que fazem: o cruzamento estilístico entre referências distintas [que vão do electro ao rock, passando pela pop e pelo hip-hop] sem pôr em causa uma sonoridade de corpo bem definido assente numa formação próxima da clássica [secção rítmica com sequenciador e bateria, guitarra, teclas, vozes e outras ‘avarias’]. Esta identidade musical tem como marca distintiva o fundo electrónico mas é, no entanto, suficientemente elástica para permitir incursões em várias ‘atmosferas’ ou estilos, e alcançar uma variedade estimulante entre as diversas músicas sem perder a tal coerência identitária [não conseguimos esquecer a monotonia da actuação dos Bloc Party em Paredes de Coura 2006].
M.A.U. [Man And Unable] é um projecto com origem, quase espontânea, no início de 2004, entre estudantes de uma escola de cinema na Dinamarca, oriundos de diversos países. O primeiro álbum, homónimo, saiu em Maio deste ano e conta, na produção, com Flak e C-Morg, dos Micro Audio Waves.
A actual formação é mais homogénea e de cunho mais orgânico que a inicial [esta, era mais dependente da electrónica] - o que não nos parece propriamente uma vantagem neste quadro multiétnico, dialógico e heterogéneo que acabámos de comentar. Pelo caminho perdeu a voz feminina e a presença de Pia, e incorporou, numa atitude pragmática e plena de sentido prático, um baterista, um teclista e um guitarrista portugueses, viabilizando, deste modo, uma plataforma de actuação com base em Portugal.
Ora, precisamente aqui, joga-se o valor do projecto, reflectido na expressão das músicas do primeiro álbum: a sonoridade electrónica é a marca distintiva, a heterogeneidade é a base identitária, e a elasticidade é uma mais-valia. O que assistimos no concerto, ao vivo, foi uma luta entre a actuação em si e estes valores, que nos deixa em dúvida: o aglomerado do som pop/rock mais homogéneo e massivo sobrepôs-se ao detalhe e à electrónica, o excesso das vozes limitou a desejável variedade e a original frescura experimental e, em termos cénicos ou imagéticos, o deslumbre egocêntrico do baterista [faltou um espelho como adereço] não substitui a cor da primeira formação. [Porque será que nos estamos a lembrar dos You Should Go Ahead???]
Valeu a ida, claro que valeu! Ficámos praticamente convencidos [somos difíceis de convencer a 100%] - são projectos destes que nos deixam esperançados. Mas também ficámos um pouco apreensivos.
Para quem não conhecer, recomendamos uma visita ao sítio dos M.A.U. , onde podem ouvir algumas músicas e ver o vídeo disponível.
À saída da garage-m, na despedida, resta-nos desejar Boa Viagem aos M.A.U. – não se despistem!